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A popularidade do chope

Atualizado: 27 de abr. de 2023

Cervejas Artesanais se caracterizam pela qualidade, localidade e histórias


por Bruno Laurindo

Rótulos capixabas. O mercado cervejeiro artesanal no Espírito Santo cresce com o passar dos anos. De acordo com a Abracerva ES, são aproximadamente 50 marcas registradas, produzindo entre 400 mil e 500 mil litros da bebida por mês. (foto: Bruno Laurindo)

Com o mercado em franco crescimento e representando uma oportunidade de negócio, as cervejas artesanais, provenientes das micro cervejarias brasileiras, ganharam espaço no país. Cervejas Artesanais ou Chopes são bebidas feitas com matéria prima de alta qualidade em pequenas e médias cervejarias.



O rótulo também é importante, pois é o queridinho desse mercado cervejeiro que se destaca pela qualidade da matéria prima usada e do processo de fabricação. Cada rótulo de uma cervejaria artesanal é uma cronologia que proporciona uma experiência diferenciada.


Diante disso, a cerveja artesanal tem suas vantagens quando o assunto é exclusividade, por exemplo: possuir identidade própria, pois cada rótulo carrega a história do criador, a mensagem emitida e uma receita; ter ingredientes nobres devido aos detalhes somados a um cuidadoso processo de fabricação; e oferecer diversidade, pois a produção pequena possibilita que o mestre cervejeiro brinque com temperos e ingred ientes na formulação das receitas e sabores.


"A cerveja artesanal é aquela que te dá maior carga de aromas e sabores” [Heron Batistela]

Heron Batistela na base da MeuChope.com, em Vitória/ES. Atualmente o cervejeiro supervisiona o setor de operações da startup. (foto: Bruno Laurindo)

Engenheiro Químico e cervejeiro caseiro, Heron Batistela, lembra que a cerveja artesanal costuma ser mais cara do que a cerveja industrial. “O produto artesanal é mais caro porque a produção é menor devido a escala. Neste caso, o que a gente tem é uma melhor qualidade da matéria prima utilizada, tem maltes especiais, lúpulos e o maior domínio do processo”, lembra.


Segundo Augusto Sato, COO da MeuChope, a cerveja artesanal é uma bebida fermentada que ele chama de organismo vivo. “Aqui você tem levedura, tem vários nutrientes, tem uma condição probiótica que é do próprio produto”, afirma. Para o empresário, as cervejeiras que trabalham com distribuição em massa pegam esses ingredientes e colocam em um processo de pasteurização. “A grande indústria esquenta e esfria o negócio. Ou seja, com a pasteurização, mata tudo que está ali dentro”.



Heron Batistela reforça que esse tipo de cerveja te dá mais informação sensorial. “A cerveja artesanal é aquela que te dá maior carga de aromas e sabores”. Para Augusto Sato, quem toma um bom chope descobre a diferença entre cerveja artesanal e cerveja industrial. “A pessoa não pode entender o processo, mas vai saber que é bem diferente”.



Produção Capixaba


Leonardo Leal - jornalista, cervejeiro e um dos proprietários da Convento Cervejaria. Na imagem, o empresário apresenta o seus mais recente rótulo, a Maria Ortiz. (foto: equipe de mídia da Criar Comunicação integrada)

Para produzir uma cerveja artesanal é preciso definir um estilo, criar uma receita, selecionar os ingredientes, moer o malte, mosturar, clarificar, ferver, resfriar, fermentar, maturar e envasar. Ou seja, o processo geral é comum a todos os fabricantes. No entanto, o que diferencia um produto do outro é basicamente os tipos de ingredientes selecionados.


Para inovar nesse segmento, o fabricante de cerveja artesanal prioriza a qualidade dos ingredientes e investe em insumos locais, promovendo a identidade do produto final e fortalecendo a região em que está instalado. No Espírito Santo, por exemplo, a cerveja artesanal se popularizou. Hoje é possível encontrar inúmeras delas. De acordo com a Associação da Cervejaria Artesanal do Espírito Santo (Abracerva ES), são aproximadamente 50 marcas registradas, produzindo entre 400 mil e 500 mil litros da bebida por mês.



Leonardo Dinelli e os rótulos da Serpentário Beer & BO. (foto: Bruno Laurindo)

Cada cervejaria tem o seu diferencial na fórmula e sua história contada no rótulo. “No nosso rótulo, ao lado da imagem, a gente tem toda a descrição da cerveja e a história de cada uma delas”, afirma Leonardo Dinelli, Serpentário Beer & CO., ao lembrar da importância que a descrição tem nos rótulos de sua cervejaria.


Segundo Leonardo Leal, um dos sócios da Convento Cervejaria, o outro lado do rótulo é livre e dedicado às cervejarias. “É onde a gente se comunica tentando fazer, normalmente, uma linguagem menos rebuscada. Por exemplo: rótulo da pilsen - cerveja clara, estilo pilsen; com lúpulos originários da República Tcheca; com maltes alemães e com leveduras Holandesas”, ressalta.


“A gente vai atrás e procura uma história para poder colocar nos rótulos das nossas cervejas”. [Leonardo Dinelli]

No entanto, vale lembrar que, além de criar algo que traz a essência da cervejaria, o rótulo tem que estar devidamente adequado às normas técnicas do INMETRO, da Anvisa e do MAPA. “O rótulo da Convento tem as partes que são obrigatórias pelo ministério da agricultura. O MAPA exige e, claro, temos que colocar”, explica Leonardo Leal. “Exige que tenhamos as informações de teor alcoólico e volumetria. Exige também aquele nome: cerveja clara tipo lager, cerveja escura, etc”, finaliza o empresário.



Cervejarias Ciganas


Maquinário para a produção de cerveja da Convento. De acordo com Leonardo Leal, a cervejaria produz 6 estilos fixos de chope e alguns itens sazonais, além de oferecer produção para 16 marcas ciganas e estar aberta para produção e armazenamento de novas cervejas parceiras. (foto: Bruno Laurindo)

Com o aumento do número de micro cervejarias no mercado nacional, aumenta também o desenvolvimento de novos equipamentos para atender os fabricantes. A iniciativa é confirmada pelo surgimento de novas empresas, que trabalham com equipamentos para micro indústrias e equipamentos para cervejeiros caseiros, que hoje são tratados como potenciais empreendedoras. É a partir deste processo que surgem as cervejarias Ciganas.


Cervejarias Ciganas são microempresas que não possuem equipamentos próprios. Neste caso, suas cervejas são fabricadas em cervejarias maiores, com materiais apropriados e registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (Mapa). “A cervejaria cigana tem toda uma estrutura administrativa, ela tem o produto próprio de uma cervejaria, mas não tem o processo fabril”, afirma Leonardo Leal.


O empresário lembra das vantagens que uma cervejaria cigana tem e porque é chamada assim. “Esse tipo de cervejaria é chamada de cigana porque ela pode fazer, hoje, chope em um lugar, mas amanhã, se ela quiser, pode fazer em outra cervejaria. Essa estrutura é muito interessante, pois pode ser o primeiro passo para quem quer começar a entrar nesse universo”, diz.



Augusto Sato, COO da MeuChope, ao lado do empresário Daniel Buaiz, proprietário da cervejaria Barba Ruiva. (foto: Bruno Laurindo)

Ciganas ou não, Augusto Sato lembra que cada micro cervejaria passa por uma dor diferente, e reforça a importância de valorizar as cervejarias artesanais. “Eu vejo a cerveja artesanal como uma arte. Porque é onde o cara consegue expressar toda a visão que ele tem, toda a experiência que ele tem em um produto. É valorizar o que é local”, reforça. “Quando você consome um produto com uma história, ele acaba agregando muito mais”, finaliza o empresário.


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