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Crise na cerveja, caminho para o chope

Atualizado: 4 de out. de 2023

O setor cervejeiro pode estar em crise, mesmo com o povo brasileiro consumindo 1,2 bilhão de litros de cerveja mensalmente


Brasil é o terceiro país que mais consome cerveja no mundo. (foto: Bruno Laurindo)

O Brasil consome 1,2 bilhão de litros de cerveja mensalmente, segundo pesquisa realizada pelo Cupom Válido. É possível um setor tão relevante entrar em crise? O que seria uma crise para o setor cervejeiro? E o que podemos tirar das movimentações mais recentes desse mercado?


Desde o anúncio de recuperação judicial do Grupo Petrópolis, que detém as marcas populares como Itaipava, Crystal e Petra e, em paralelo a isso, a Cervejaria Santa Catarina (CSC), dona das marcas Saint Bier, Coruja, Barco e Catarina, que fechou as portas de vez, ocorreram esses e diversos outros questionamentos.


Para um olhar mais atento, esses fatos podem explicar muita coisa. O Brasil é o terceiro maior polo cervejeiro do mundo, com um faturamento de R$ 180 bilhões - equivalente a 2,1% de seu PIB -, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Expressivo e relevante, certo? Mas apenas 3 empresas detém 95% desse valor.


Se há crise em uma empresa, há crise em todo o setor?


Não necessariamente.


Isso porque é notável o crescimento da popularidade da cerveja artesanal. Esse nicho tem chamado atenção dos consumidores e se tornado cada vez mais relevante no mercado cervejeiro. Prova disso, é que alguns players já fizeram movimentações nesse sentido, como a compra da Colorado, de Ribeirão Preto, pela Ambev ou a artesanal inglesa, Beavertown, pela Heineken.


Atualmente no Brasil, são 1.729 cervejarias artesanais registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os dados são do Anuário da Cerveja 2022, que mostram um crescimento de 48,5% no número de cervejarias nos últimos 20 anos.


Quando falamos desse nicho, nos deparamos com a bruta realidade de que quase metade das cervejarias artesanais do Brasil não registraram lucro em 2022, segundo pesquisa realizada pelo Guia da Cerveja. O trabalho aponta que 46% dos empreendimentos tiveram prejuízo ou só empataram as contas entre receitas e despesas no ano passado.


Apesar de dar luz às dificuldades do setor, o levantamento aponta para uma tendência de recuperação: 62% das empresas participantes afirmam que apresentaram crescimento nas vendas de cerveja em 2022 na comparação com 2021. E 81% das cervejarias esperam que o ano de 2023 também seja de crescimento em relação a 2022.


Diz o ditado que onde há crise, há oportunidade. Para o mercado cervejeiro artesanal, o produto é a oportunidade por si só. Isso porque tem suas vantagens: personalização, exclusividade, identidade própria e qualidade das matérias-primas. Fomentar e democratizar o acesso ao artesanal é essencial para os produtores crescerem e, assim, quem sabe, consequentemente o mercado também — e com mais pluralidade.


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